IABAS usou médicos de UBSs no hospital de campanha do Anhembi

IABAS usou médicos de UBSs no hospital de campanha do Anhembi

26 de agosto de 2020

O IABAS (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde) remanejou médicos de unidades básicas de saúde do centro e da zona norte da capital para o Hospital de Campanha do Anhembi, onde a entidade atuou até o fim do mês passado.

A “operação” – que levanta suspeitas sobre um possível pagamento em duplicidade para o instituto – foi admitida nesta quarta-feira (26) pelo próprio presidente da entidade, Cláudio Alves França, em CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia Legislativa.

“Alguns profissionais estavam sendo afastados. E [com] a necessidade de uma equipe integral e 100% voltada para a assistência da população, nós tivemos que remanejar alguns funcionários para fazer uma cobertura de uma ausência, de um afastamento, uma vez que a gente não poderia deixar os nossos pacientes desassistidos”, disse.

“Todos os profissionais deslocados tinham capacidade técnica suficiente para atender aos requisitos do protocolo e dar assistência ao paciente.”

 

Hospital de campanha

França foi convocado a dar esclarecimentos à CPI sobre a atuação da entidade no Hospital de Campanha do Anhembi, mantido por meio de parceria entre a prefeitura e o governo do Estado. A comissão investiga irregularidades na atuação de entidades que recebem repasses públicos, como as OSs.

O IABAS atuou no hospital de campanha de 03 de abril a 31 de julho, recebendo R$ 71,394 milhões. A unidade segue funcionando, mas com apenas 310 dos 871 leitos iniciais. Os leitos remanescentes são de responsabilidade da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), que já dividia com o IABAS a gestão do local.

O instituto mantém contratos anteriores com a prefeitura para administrar postos de saúde na região central e na zona norte da capital. Foi destas unidades que a OS tirou médicos para cobrir postos vagos no hospital de campanha.

Cláudio Alves França garantiu não ter havido “desassistência no processo de atenção básica”. Segundo ele, o remanejamento aconteceu simultaneamente a uma “ociosidade da equipe das UBS” com a redução da demanda ambulatorial. Também destacou que não haveria tempo hábil para o recrutamento de novos profissionais.

O presidente do IABAS não informou, porém, quantos profissionais foram remanejados, mas se comprometeu a informar os números posteriormente.

 

Investigações

Cláudio Alves França foi convocado por um requerimento do presidente da CPI, deputado Edmir Chedid (DEM). Para o parlamentar, o depoimento desta quarta levanta muitas dúvidas sobre a atuação da entidade.

“A entidade admite que remanejou médicos das UBSs para o hospital de campanha. A nossa dúvida é se o poder público pagou duas vezes pelo mesmo médico. Cada unidade tem a sua própria verba. Os orçamentos são divididos por unidade de saúde. Então, se o médico foi remanejado para o hospital de campanha, um desconto proporcional deveria ser feito no repasse para as UBSs”, afirmou.

Segundo Edmir Chedid, a CPI deve se debruçar sobre o contrato do hospital e os subcontratos firmados pelo IABAS com prestadores de serviço.

A comissão também quer saber para onde foram destinados os equipamentos comprados com dinheiro público para a unidade provisória.

 

Histórico

O IABAS já era alvo de inquéritos do Ministério Público por irregularidades na gestão de unidades de saúde da prefeitura. A entidade passou a atuar no Anhembi por meio de um aditivo no contrato dos postos da zona norte.

No início do mês, a entidade voltou a ser notícia depois de usar indevidamente R$ 2,4 milhões do contrato com a prefeitura para pagar um escritório de advocacia que a defende em processos criminais no Rio de Janeiro. O dinheiro foi devolvido na semana passada.

O IABAS está no epicentro do processo de impeachment do governador Wilson Witzel. A entidade foi contratada emergencialmente pelo governo do Rio para montar e administrar sete hospitais de campanha a um custo de R$ 835 milhões.

A Polícia Federal deflagrou operação em maio para investigar possível desvio de recursos nesses contratos. As buscas incluíram a residência oficial de Witzel. Cláudio Alves França, presidente do IABAS, foi outro alvo da operação. O caso segue em investigação.

 

 

 

 

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Informações:

Max Ramon / Assessoria de imprensa

(11) 3886-6429/6787